22 de set. de 2012

Fé, Graça e Lei


‘’Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus.’’ (Ef 2:8-9)


                 Quando o homem desobedeceu ao Senhor no Éden, Deus prometeu um Redentor (Gn 3:15). Um médico que daria a cura para o pecado, daria o remédio para a rebeldia e dureza dos corações. Este mesmo Médico traria o antídoto para as iniqüidades e transgressões, e a cura era o próprio sangue deste Médico.
                O sangue de Jesus permitiu que o ser humano fosse salvo pela graça, bastando crer para justificação. Isso não se limitou ao período da vida de Jesus ou a partir de sua morte, pois a graça do sangue do Cordeiro já salvava pela fé muito antes da morte do Mesmo. Hoje temos fé na obra já consumada, antes os servos de Deus tinham a fé numa obra ainda a se consumar.
               Talvez o maior exemplo disso seja Abraão, a Bíblia diz que ’ creu Abraão em Deus, e foi-lhe isso imputado como justiça, e foi chamado o amigo de Deus. ¹ ‘’ A fé justificou Abraão muitos anos antes da morte de Cristo na cruz.
               Paulo é claro ao dizer que ‘’nenhuma carne será justificada diante de Deus pelas obras da lei. ’’² A Lei não pode dar justiça, antes pela Lei vem o conhecimento do pecado, então do mesmo modo que Deus salvava no Velho Testamente, Ele salva no Novo Testamento, a saber, pela graça mediante a fé. Esse foi o modo que Deus achou para salvar a humanidade da condenação: a sua graça, o seu favor que não merecemos (Sl 13:5). Não há nada que possamos fazer para merecermos a salvação, nada que possamos fazer para compensar a nossa redenção.
                Então qual é a importância da Lei para o verdadeiro servo de Deus? Lembramos sempre de Abraão, servo de Deus, quando vamos falar de fé ou justificação pela fé, mas não lembramos de Abraão quando vamos falar da sua obediência a Lei de Deus, pois a Bíblia é clara ao dizer:
“Abraão me obedeceu e guardou meus preceitos, meus mandamentos, meus decretos e minhas leis”.³               A Bíblia é clara ao mostrar que a salvação e santificação, que sem a qual ninguém verá a Deus (Hb 12:14), dependem de dois aspectos: a fé, que deve gerar por consequência a obediência, mas ambos os aspectos só são viáveis por causa da existência da Graça. A fé te permite entrar para a família de Deus, a obediência faz com que você permaneça nela. A Lei do Senhor é o que nos permite saber o que o Dono da casa quer de nós que somos forasteiros, ela é uma corrente de dez elos, se nós rompermos um destes elos, romperemos toda esta corrente (Tg 2:10-11).
              Nós quando aceitamos a Cristo, observamos o primeiro aspecto da salvação, a saber, a fé. Ao passar do tempo, vamos buscando entender o que este Salvador e Senhor quer de nós e passamos a praticar o segundo aspecto da salvação, a obediência. Ao olharmos para o primeiro aspecto vemos que é fácil, de certa forma, crer na obra de Cristo para nos salvar, o difícil é observar o segundo aspecto, a odediência, por que constantemente queremos fazer o que é errado, temos uma natureza dentro de nós que luta contra o Espírito de Deus, querendo fazer o que é errado perante os olhos do Senhor. O Apóstolo João diz em 1 Jo 3:4 que pecar nada mais é do que quebrar a Lei de Deus. Muitas vezes somos levados por nós mesmos a fazermos o que é mal, ou seja, o pecado, e não conseguimos praticar com perfeição o segundo aspecto da salvação, mas isto não deve ser desesperador. Nenhum homem conseguiu nunca pecar, apenas Jesus (Hb 4:15); e ele nos disse para guardamos os Mandamentos (Jo 15:10). Mas seria uma ordem injusta? Seria uma tarefa impossível? Ai depende do ângulo em que você está olhando. Quando pensamos que obedecer a Deus observando os mandamentos nada mais é do que cumprir regras a todo custo, ai sim será uma tarefa impossível. Mas quando antes de tudo, amamos o Criador, tudo passa a fazer sentido e a obediência passa a ser natural, por que amamos a Deus e não queremos fazer o que magoa o Seu coração. Embora pequemos, o arrependimentos nos trará de volta à corrida da obediência.
                 Citei Abraão. A Bíblia conta que Abraão mentiu dizendo que Sara não era sua esposa 
(Gn 12:12-13). Mas ainda assim a Bíblia relata posteriormente que Abraão guardou os mandamentos de Deus e a sua Lei (Gn 26:5). A Bíblia mentiu então? Não! Então se a Bíblia diz que Abraão mentiu, mas depois diz que Abraão guardou os Mandamentos de Deus, então é possível, mesmo para mim e para você, sermos considerados por Deus como ‘’guardadores dos seus mandamentos’’ mesmo falhando em guardá-los às vezes, como Abraão, mas sempre tendo em visto o arrependimento.
                   Vejamos outro exemplo. A Bíblia nos mostra que o rei Davi fez algo muito errado; cobiçou a mulher do próximo, se deitou com ela, a engravidou e mandou o marido dela para frente de batalha para morrer na guerra. Isto está relatado em II Sm 11. Mas ainda assim a Bíblia, posteriormente, fala algo sobre Davi, veja: ‘’ [...] você não tem sido como o meu servo Davi, que obedecia aos meus mandamentos e me seguia de todo o coração, fazendo apenas o que eu aprovo. ’’ (1 Re 14:8). Humanamente falando, eu pelo menos nunca cometi um pecado tal feio quanto o de Davi, mas para Deus isso não tem diferença. E se Deus disse que Davi guardava os Seus mandamentos, mesmo tendo ele feito o que fez, será que não há esperança para mim e para você? Claro que há. Deus sabe que a humanidade tende a ser pecadora, por isso Ele estabeleceu o poder do arrependimento, que nos leva de volta a Deus para sermos obedientes.
                     Quando o Apóstolo Paulo foi questionado sobre o que se deve fazer para ser salvo, ele respondeu: ‘’ Crê no Senhor e serás salvo, tu e a tua casa. ’’ (At 16:31). Porém quando Jesus foi questionado sobre o que se deve fazer para obter a vida eterna ele respondeu: ‘’[...] Se queres entrar na vida eterna, obedeça aos Mandamentos. ’’ (Mt 19:17) Mas uma vez vemos fé e obediência.
                   O Apóstolo Paulo, na Carta de Romanos no capítulo 3, trata bastante sobre justificação pela fé. Ele deixa claro que a fé nos justifica perante Deus e que pela Lei ninguém será justificado. No último versículo ele dá uma seguinte declaração em forma de questionamento: ‘’Anulamos a lei pela fé? De maneira nenhuma. Pela fé confirmamos a lei. ’’ Ou seja, guardar os mandamentos de Deus deve ser confirmação da fé que você teve. Obedecer a Deus é obra da transformação e não contrário. Obedecer não gera justificação, mas justificação deve gerar obediência.
                   O cristão não deve ser escravizado, regido e nem guiado pela Lei. Deve ser guiado pelo Espírito por sobre esta lei (Gl 5:18). A meu ver, a Lei é como um lago gigantesco, nós podemos tentar atravessa-lo nadando, ou seja, com nossas próprias forças, mas nunca iremos conseguir, pois é impossível; porém quando entramos no ministério do Espírito deixamos de tentar atravessar este lago nadando, e o Espírito nos faz andar sobre ele; pode até demorar um pouco, ser exaustivo, mas dá pra atravessar. A única coisa que mudou com isto foi o estado entre o cristão e o lago (lei), antes de receber o ministério do Espírito, o cristão estava no lago (na lei), tentando vence-lo com suas forças; agora que entrou no ministério do Espírito, o cristão esta andando sobre o lago (sobre a lei). Tendo apenas a preocupação de ser guiado acima da lei por este Espírito de justiça. Mas ainda que o cristão não esteja mais no lago (na lei), ele permanece caminhando em cima dele, ou seja, ela (lei) não é guia de vida, mas é regra de fé. Guia só o Espírito de Cristo.
                    Paulo diz o seguinte em Rm 6:15 ‘’[..] pecaremos por que não estamos debaixo da lei e sim da graça? De maneira nenhuma!’’ Visto que pecar é quebrar a Lei (1 Jo 3:4), não vamos ignorar a lei de Deus por que estamos debaixo da graça.
                    O ser humano precisa entender que a fé não dá liberdade à desobediência. A graça salva mediante fé, a obediência te faz ter paz com Deus e pronto para a salvação. A fé, a graça e a Lei na verdade não estão separadas, são uma coisa só.


¹ Tg 2:23 (ACR)
² Rm 3:20 (ACR)
³ Gn 26:5 (NVI)

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